Recentemente tive uma breve experiência "amorosa" bem tensa, com a qual nunca tinha vivido antes nesse meu pouco mais de um ano solteira.
Conheci um rapaz numa festa, bem respeitoso, me tirou pra dançar, conversamos e tal. Não ficamos, mas ele pegou meu contato. Enfim, depois de algumas conversas por celular, saímos para nos conhecermos. Conversamos bastante, parecíamos ter várias ideias em comum. Até cogitei em seguir em diante, para algo não mais sério, mas mais padrão de relacionamento. Tipo sair várias vezes com a mesma pessoa, coisa que eu ainda não tinha feito depois do meu término de namoro.
Só que o tempo, o grande esclarecedor da verdade, começou a mostrar como as atitudes deste rapaz se contradiziam com suas palavras. É tão estranho, que eu não sei nem muito bem como contar. Ignorando as temporalidades, vou me ater às coisas que mais me incomodaram.
Começou com pequenas observações sobre como eu sou e sobre como eu deveria ser. Comentou sobre como eu tava com bastante espinha e que eu deveria fazer uma limpeza no rosto. Depois, começou a comentar como eu ficaria bem se fizesse academia e aumentasse um pouco minhas coxas e bunda. Junto à isso, falou que iria mudar minha alimentação e começou a questionar se eu comia coisas saudáveis. Obviamente, à tudo isso respondi que eu não preciso de um dermatologista, personal trainner, ou nutricionista. Disse também que eu jamais mudaria meus hábitos se não fosse por vontade própria.
Após estes questionamentos à respeito do meu corpo, o rapaz começou a fazer pequenos comentários sobre meu comportamento. Tais quais o fato de eu ter muitos amigos homens. Ele fez um comentário de que não acreditava eu ter mais amigos homens do que mulheres, sugerindo que o que eu chamava de amigos na verdade não eram bem meus amigos, e sim caras com que eu já tinha ficado, e chamava assim pra não ficar "feio" pra ele. O fato de eu ser uma guria "de torcida" também o incomodou, ir aos jogos do inter, acender sinalizadores, isso não é comportamento de uma moça. Mas o que mais o intrigava, era o modo como eu sou "extrovertida", sobre como eu falo com os amigos sem timidez ou meias palavras. Ele disse que não tava acostumado com isso, pois considerava esse o comportamento de mulheres promíscuas (não usou essa palavra, mas deu claramente a entender). As mulheres que ele saía eram todas quietas, não tinham muitos amigos, aceitavam os "conselhos" que ele as dava. Também me falou que não gostava de loiras.
Foi então que eu fui para Bahia, numa viagem com a faculdade, Encontro Nacional de Comunicação. Tínhamos de conversar por ligação, porque whatsapp não era suficiente para ele - "não consigo conversar direito por mensagem". Ok. Conversamos durante a viagem de ida (foram 3 dias de viagem, pois fui de ônibus). Então o crédito do meu celular acabou, e eu avisei por whats que não poderia mais ligar. Não passaram 5 minutos depois disso, recebo a mensagem de que ele tinha colocado créditos para mim. Agradeci, mas falei que não precisava. Só que ele tinha a necessidade de que eu o ligasse, que ficasse quase uma hora contando sobre como estava sendo a viagem. Eu falei que não queria mais ficar pendurada no telefone, já que os meus amigos da viagem estavam todos juntos e eu separada no telefone. Ele questionou o fato de eu ter feito amigos tão rapidamente, e começou a dizer como eu estava sendo injusta, já que ele colocou créditos no meu celular e eu não estava merecendo o modo como ele estava me tratando. Ele disse que pensava uma coisa de mim, mas que eu era outra. Que estava me levando para namorada, quando na verdade eu era apenas uma "amiga para ficar".
Foi aí que eu cansei. Não estava acreditando em tudo aquilo que eu estava ouvindo, e também não estava acreditando no fato de eu já ter ouvido todas aquelas outras coisas e ter continuado. Fiquei puta. Irritada demais para ter qualquer discussão sobre como aquilo tudo era ridículo. Um machista e opressor que fala queridinho, e fica se explicando que na verdade eu é que entendia tudo errado do que ele falava.
Quando voltei, tentei argumentar dizendo o quão escroto e ridículo ele tinha sido comigo (fora as outras coisas que não contei aqui). Porém, ele não ouvia, só dizia que eu não tava entendendo ele. Que eu estava entendendo errado. Como eu era brava. Depois de tanto tentar argumentar e dizer como aquilo estava errado e que eu não queria mais aquilo, não queria mais sair com ele porque não gosto de relações assim nem de caras que agem assim, ele continuou achando que eu é que não o entendia. Falou que também não gostava de muitas coisas em mim, e que eu tinha que pesar as coisas na balança. E me adaptar. PORRA! EU NÃO QUERO ME ADAPTAR. EU NÃO TENHO QUE ME ADAPTAR.
Desisti de argumentar. Apenas concordei com tudo que ele disse e falei que realmente eu não estava entendendo nada do que ele queria, e que nunca ia entender. Ele estava ali perdendo tempo, e eu também. Tive quase que gritar: não vai rolar. Foi aí que ele entendeu. Consegui fazer com que ele fosse embora, me senti aliviada.
Uma semana depois, recebi uma mensagem dele, perguntando se ele poderia me apresentar um amigo. Mesmo irritada, apenas respondi que eu estava muito bem e não precisava que ele me apresentasse nada.
Enfim, que experiência horrível. Não calei diante dele, não aceitei. Mas senti. Senti muito. Me senti diminuída. Agradeço por ser empoderada e não querer mudar por ninguém. Mas me senti triste. Me senti como milhões de mulheres devem se sentir diariamente.
Mas digo a todas:
Você não deve nada a ninguém. Nem meiguice, nem delicadeza, nem beleza. Você não deve servidão a ninguém, não deve sexo, nem obediência. Você não deve absolutamente nada para um cara que foi legal com você. Você não deve nada ao mundo. Você deve apenas respeito, satisfação e amor-próprio a si mesma.
Que coisa, Dani... pelo conjunto das atitudes que tu relatou deste rapaz me parece até algum tipo de desvio moral muito complexo, fruto do cultivo de uma imensa carga de ignorância ou ainda algo até bem pior: desinformação... não sou psicólogo, mas vendo-se a coisa pelo teu prisma qualquer leigo pode perceber de longe a necessidade que ele tem em "moldar" uma mulher de acordo com suas próprias pretensões o que, na moral, é absurdamente triste... mas não desejo crucificá-lo, pois não conheço nada sobre sua formação e não sei se ele não foi "educado" para ser assim (apesar de que aposto que foi)... ou ainda se ele cedeu às convenções absurdas do comportamento masculino que, infelizmente ainda existem... O QUE, CÁ ENTRE NÓS E A WEB, NÃO O ISENTA DE SUAS RESPONSABILIDADES EM TER DISCERNIMENTO PARA RESPEITAR INDIVIDUALIDADES, AINDA QUE CERTAS COISAS EXISTAM APENAS NA IMAGINAÇÃO DELE... a mágica está naquele que se sente realizado por simplesmente admirar, respeitar, incentivar, enfim amar... aquele que permite que o amor lhe sirva seu doce néctar e com ele se sacie e, saciado se torne infinitamente grato... Liga não... Quem não te curte não te merece... Beijo carinhoso...
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